quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Retrato do Brasil


Salsa cubana na Central do Brasil.
Pré-adolescentes e jovens adultos correndo descalços com uma lata de cola na gola da camiseta branca-suja-arregaçada.
Noite estrelada que não dá para ver.
Lua cheia que reflete alegrias e tristezas.
Japoneses, italianos, alemães, portugueses, holandeses e índios somando aos negros.
Pardos... Todos pardos.
Ônibus lotado.
Buzinas, gritos, slogans de vendedores de bugingangas.
Carnaval dentro e fora de época.
Meu Brasil, de norte a sul, é quente e frio.
Meu Brasil, de leste a oeste, é feio e lindo.

quarta-feira, 27 de julho de 2011


...Degraus

Degraus que subo

Degraus que temo

Degraus que intimidam


Degraus...

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Roda peão...



Ele gritava, urrava pelos quatro ventos, norte, sul, leste e oeste, para quem perto ou longe estivesse, que sabia, que já havia aprendido, todo o segredo da vida. Pensava não ter mais algo que não soubesse seu início, seu meio e o seu fim. Um belo dia alguém lhe falou:

- Há muito mais sobre tudo o que imaginas conhecer. Sempre há. O conhecimento, e as coisas caminham para frente. Quando você acha que conseguiu assegurar tudo, tem mesmo apenas um momento. Quem sabe, apenas um espectro.

segunda-feira, 27 de junho de 2011


O sol da meia noite que ilumina,
O brilho da lua cheia que fascina,
Você é, você é minha menina.


sábado, 25 de junho de 2011



E, se te disserem que você não é de nada, mostre o nada em suas mãos cerradas.
Soque bastante a cara do sujeito. 
Ao menos, dali em diante, ele saberá que você é bom em alguma coisa. 
Em ser mais idiota que ele.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A chegada do forasteiro


Era uma vez um rei que pensava que era rei porque Deus lhe dera tal encargo. Esse rei ao pensar ser rei porque Deus lhe dera tal encargo, pensava também ser senhor da verdade. De onde tirara tal devaneio é que não se sabia pela cidade.
 - Só porque é rei é dono da verdade?
Será que Deus dá a “rei-dade” a um rei e dá-lhe com tal encargo a magnificência da impossibilidade da dúvida em sua palavra? Poder e palavra caminham sempre juntos?
 - E Deus escolheu apenas um homem! E esse homem sou eu! - Dizia o rei...
Até que chegou alguém que não acreditava em Deus, nem mesmo havia pensado na possibilidade de tal ser. Quando lhe disseram que existia um Deus, ficou sem saber do que se tratava. E quando lhe disseram que tal Deus dava ao rei sua “rei-dade” e sua indubitabilidade da palavra... Qual a reação deste forasteiro desconhecente de Deus? Do que dele se esperava? ...

segunda-feira, 25 de abril de 2011



Porque parte do meu trabalho é acompanhar uma professora de filosofia em pelo menos duas aulas por semana.
~ E eu consigo passar pelo menos 45 minutos sentado em uma cadeira sem fazer nada?
~ Não, não consigo.
Eis que durante minha observação da professora, sem nada mais a fazer, abro o caderno e começo a escrever sem pretensão nenhuma, como sempre, sem pensamentos prévios, sem saber do que vou falar ou o que estou falando, simplesmente escrevo como se o lápis me tomasse e falasse por mim.
E ele, o lápis, parece saber falar de mim a mim mesmo tão melhor que qualquer um.
E ele escreve:

“Não tenho muita paciência quando sei o fim de alguma coisa. Não tenho muita paciência quando sei como se resolve alguma coisa. Não tenho muita paciência quando sei, do que estou esperando, como e porque ele virá. Não tenho muita paciência quando quero algo já. E, normalmente, quando quero algo, é já! O meu querer é quase sempre instantâneo, momentâneo, como um vulcão que explode e jorra lava, como um furacão nível cinco que tudo arrasta.
Tem como alguma paciência conter esse ímpeto e tempestade?
Já fui alguém de extrema e infindável paciência, como um grande e virtuoso monge tibetano, porém foi em tempos remotos, quando não sabia da arte de viver feliz intensamente, sentindo ao máximo os prazeres “efêmeros e superficiais”.
Há algo mais belo e mais saboroso que o desfrute, que o deleite, do querer, ter e sentir?
Por isso não tenho paciência. Paciência de esperar pelo prazer que me aguarda logo ali. Não sei ser “meio termo”, ou faço muito ou não faço nada. Ou sou mar revolto ou lago morto. E o nada me dá agonia..."