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quarta-feira, 6 de julho de 2016

Onde está o amor?

...
Sabe o amor dos 15 anos?
Sabe o amor dos 18 anos?
Em que fim chegamos?
Ou, em que meio estamos?

Em casa há solidão.
No peito, um aperto.
Ninguém bate no portão.
Ninguém tira meu sossego.

Onde está o amor da minha vida?
Em que meio se perdeu?
Será que já chegou?
Será que escapou?

Falta alguém pa' chamar de "minha linda".
Alguém pa' dizer que "sou seu".
Será que já passou?
Será que outro encontrou?
Será que já morreu?
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07 de junho de 2016
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domingo, 2 de setembro de 2012

Poesia(?) à vida poética sem poesia.


Se poesia exprimisse todos os sentidos não seria poesia,
Seria vida.
A vida vivida perderia o sentido, pois as palavras rimadas,
Mais que palavras, seriam suspiros, súplicas, remorsos, sorrisos, impulsos, tristezas, fulgacidade... Vivacidade.
Viva a cidade!
Viva o amor!
Viva a paixão!
Poesia é composta por mortacidades,
O real beijo quente ao abraço apertado,
O real sabor de pêssego da pele,
O cheirinho de mato, é bem mais vivo que ler Manoel de Barros.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Poema à Neruda



Neruda, o que é o porto?
Um ser sem rosto?
Um barco sem vela?
Um amor sem ilusão?

Neruda, o que é o porto?
Será desconforto?
Viver sem tê-la?
Um frio coração?

Porto já foi segurança,
Em ti desesperança.
Quanta indecisão!

O certo não sabemos,
Mas poemas faremos
Com a nossa bela mão.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Se eu fosse um poeta


Se eu fosse um poeta faria poesias em dias felizes e tristes.
Faria uma poesia em um dia triste para me alegrar,
Faria uma poesia em um dia alegre para comemorar.

Se eu fosse um poeta faria poesias, simplesmente,
Para que a dor que a gente sempre sente
Se desmanchasse no ar.

sábado, 7 de janeiro de 2012


Dois perdidos se encontram
E o encontro dos perdidos
Faz tudo ficar esquecido.

O escuro clareou
O frio esquentou
O nada significou

A lua em capricórnio
O sol em leão
Dois encontrados
Em um só coração.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Das histórias do seu Zé e seu Bezerra


Cinco e meia e o sol nasceu
levantou-se da cama José
E rezou com muita fé
pelo seu Bezerra que morreu.

Seu Bezerra homem valente
mesmo que não fosse seu avô
Cairia em prantos e chororô
parecendo menino carente.

Decidiu ir trabalhar
como diariamente seu costume
Mesmo recordando
de seu avô homem ilustre.

Meio dia no almoço
de novo aquele alvoroço
Lebrou-se de um sorriso doce
Do seu Bezerra que Deus trouxe.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A Olheira¹ - Torquato Neto²



Reparo a cor do dia
Reparo a torre da tevê
Não há madrugada mais fria
Do que esses dias
Sem você;
O arrebol no campo de futebol
A cor da flor
Do mal
E a torre da tevê:
O Sol o Céu o Sal
O azul – você não vê
Deu meia-noite no meio dia
Casa vazia
Entre pra ver

Esqueça
Tudo o que eu digo
São poucas palavras
E todas marcadas
Passos na escada
Meus olhos nos teus –
Algumas palavras
Pra não dizer adeus;
Esqueça agora
Repare a cor do dia
(chove lá fora)
Entre pra ver:
A madrugada fria, esses dias
E a torre da tevê.

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¹ Poema publicado em 24 de julho de 1971 no Suplemento Plug, do extinto Correio da Manhã.
² Torquato Neto (1944 – 1972), poeta, jornalista, letrista de música popular, experimentador da contracultura. http://pt.wikipedia.org/wiki/Torquato_Neto

terça-feira, 12 de abril de 2011

Sobrancelhas Arqueadas ¹


Sobrancelhas arqueadas,
Olhos do sol quando nasce,
Boca pequena e bem feita,
Foi com que tu me mataste.

Sobrancelhas arqueadas,
Olhos que roubam a vida,
Esta feição de teu rosto
Faz a minha alma perdida.

Olhos pretos matadores,
Cara cheia de alegria,
Um beijo da tua boca
Me sustenta todo o dia.
_____________________
¹ Canção popular sergipana.

domingo, 10 de abril de 2011

O que eu quero


Eu quero beijar tua boca
Escutar tua voz rouca
Na noite fria e escura

Eu quero tua pele na minha
Você chegando mansinha
Nessa noite de lua

Eu quero nós dois juntinhos
Mexendo devagarinho
Pra te perceber nua

Eu quero nós dois em laço
Perder-me no teu abraço
E escutar: “eu sou sua”.

domingo, 20 de março de 2011

À Grande Energia


Óh Grande Energia criadora,
divina és tu em teu esplendor.
Dos teus oceanos, terras e campos
com amor colho-te uma flor.

Óh Grande Energia mantenedora,
faz-me ver além do que é material
onde se encontra a verdadeira alegria
junto ao teu seio maternal.

Sei do teu empenho,
junto ao teu balanço
irei dançar.

Grande é o teu engenho
e a ele retenho
meu seguro navegar.

sábado, 17 de abril de 2010

Quando os Trabalhadores perderem a paciência...


As pessoas comerão três vezes ao dia
E passearão de mãos dadas ao entardecer
A vida será livre e não a concorrência
Quando os trabalhadores perderem a paciência
Certas pessoas perderão seus cargos e empregos
O trabalho deixará de ser um meio de vida
As pessoas poderão fazer coisas de maior pertinência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

O mundo não terá fronteiras
Nem estados, nem militares para proteger estados
Nem estados para proteger militares prepotências
Quando os trabalhadores perderem a paciência

A pele será carícia e o corpo delícia
E os namorados farão amor não mercantil
Enquanto é a fome que vai virar indecência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

Quando os trabalhadores perderem a paciência
Não terá governo nem direito sem justiça
Nem juizes, nem doutores em sapiência
Nem padres, nem excelências

Uma fruta será fruta, sem valor e sem troca
Sem que o humano se oculte na aparência
A necessidade e o desejo serão o termo de equivalência
Quando os trabalhadores perderem a paciência

Quando os trabalhadores perderem a paciência
Depois de dez anos sem uso, por pura obsolescência.
A filósofa-faxineira passando pelo palácio dirá:
"Declaro vaga a presidência"!
(Dr. Mauro Iasi)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Viver é um Morrendo


Dia quente, noite fria.
Lua Cheia de agonia.
Sol forte chega ao leste.
A solidão me entristece.

Ruas cheias, cama vazia.
Sucumbindo à afasia.
Aos poucos estou vivendo,
mas viver é um morrendo.

Espero todo dia,
não ver mais o sol raiar.
Prefiro dormir p'ra sempre
e nunca mais acordar!